O TESTEMUNHO DO PADRE ANIZANOs santos não têm pátria, são universais; não ficam reduzidos à Congregação que criaram ou animaram, são católicos puros, isto é pertencem a toda a Igreja.
Como toda a gente tem seu santo de predilecção, também eu me curvo diante de Francisco de Assis, Teresa de Ávila, João da Cruz e outros que deixaram rasto atraente. E legaram preciosos escritos que os prolongam e iluminam sábias consciências.
Anizan está entre eles. Viveu num país e num tempo de apóstolos apaixonados.
Ele tocou minha sensibilidade pela causa dos pobres e do mundo operário.
Essa sua opção, não tão frequente na Igreja, como seria desejável, teve eco no grande movimento que gerou os Padres Operários e a Acção Católica. Ele foi um dos cabouqueiros dessa construção de Igreja no mundo do trabalho e no meio popular.
As marcas, mal entendidas por parte do clero e desautorizadas pelo Vaticano, não foram vãs. Recordo um agradável episódio, há anos, por ocasião de uma digressão pela Europa numa caravana de amigos. Acampámos ao fim de um dia num parque, explorado por uma simpática e comunicativa Senhora. Viemos à fala sobre a sua família, seu ‘negócio’ e coisas variadas da vida… Sobre religião trouxe à baila os ‘Padres Operários’ da sua simpatia. Da Igreja sabia aquilo!
Efectivamente eles contribuíram para dar à Igreja créditos (mal agradecidos) em horas críticas. Quase se esvaneceram esses sinais, embora não tenham sido riscados da história.
Agora, na maré baixa da prática católica, parece surgir certa lamentação pela pouca visibilidade de testemunho cristão na ‘praça pública’.
Anizan deixou testemunho de misericórdia para com as multidões dos deserdados, de inconformismo num apostolado reduzido ao templo, de inovação evangélica no coração de cada pessoa e de lúcido sentido da vivência e acção em Equipa.
O seu estilo de vida, na ruptura com modos burgueses, na incompreensão de que foi vítima, na noite escura da busca de soluções, na vida interior apaixonado pelo Senhor, vingou no Instituto dos Filhos da Caridade e nas Auxiliadoras da Caridade.
Dou graças por tudo isso ao Deus do Amor.
E a minha simpatia para com os vocacionados e vocacionadas nesta Obra.
Pe. Rolando Simões
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