Domingo, 24 de Fevereiro de 2008

Anizan na minha vida

A minha experiência de Anizan…
Anizan na minha vida?
O encontro com uma pessoa realiza-se muitas vezes através dos que amamos. Elas compreenderam um pouco quem foi o outro e o que mobilizou a sua vida.
Anizan, “encontrei-o” primeiramente, dou-me conta disso hoje, através do meu tio Robert… um Filho da Caridade, um dos primeiros… mas é escrevendo estas poucas linhas que meço o testemunho de ambos: “Ser de fogo para Deus… Gastar-se até ao fim, até á medula”… Eles deram-se inteiramente a Deus e aos que encontravam… O tio Robert era discreto e no entanto escaldante deste amor que toma qualquer vida.
A minha “experiência de Anizan” relida hoje, passou primeiramente pela descoberta do povo dos trabalhadores. Este povo que ele amava e que não era o meu… descoberta da história deste povo, do trabalho que frequentemente esmaga o homem, das condições de vida difíceis das famílias nos subúrbios… mas também a aprendizagem de uma solidariedade, da força do agir juntos…
Anizan na minha vida é também, como um caminho numa montanha onde é necessário subir bastante antes de ver alguma coisa: fazer a experiência da família religiosa que Anizan fundou… Viver juntas no coração das realidades, no quotidiano da vida das pessoas “que ganham dia a dia o seu pão de cada dia”. Uma família religiosa que vive concretamente deste fogo escaldante do amor de Deus e sabe encontrar, em cada época, os meios novos para ficar em comunhão com este povo de trabalhadores; como diz Anizan:
“Cabe-nos a nós ir na frente, somos demasiado prudentes, não somos bastante audaciosas; diria, não somos bastante imprudentes… é necessário lançar-se, é necessário ir ao povo…”
Uma família com esta dupla, e ao mesmo tempo única orientação para viver deste Amor: missionárias-contemplativas… é para mim, para todas nós, a urgência da oração e do “ser/estar com”. Vivi-o através da comunidade, na minha profissão de enfermeira nos bairros ou no hospital, como também no acompanhamento dos grupos de jovens nas suas descobertas de Cristo nas suas vidas, ou ainda trabalhando com os responsáveis “na transformação das suas vidas” quer em França como depois também no Benim. Sempre apoiando-me na comunidade, onde, juntas, somos enviadas para viver e testemunhar Jesus com este imperativo do padre Anizan no coração:
“Se a nossa família religiosa não for na Igreja um fermento de Caridade, é melhor que ela desapareça…”
Esta experiência tomou, durante 25 anos a dimensão internacional, de uma vida solidária com um povo que construía a sua história e se libertava… através das suas pobrezas e das suas riquezas, onde “me senti” amada por Deus tanto quanto aprendi a amar… Uma aventura com uma Igreja, e com jovens que procuravam Deus nas suas vidas e que se apoiavam bastante na riqueza do estar juntos, na família, no grupo; uma aventura com Cristo no meio das suas vidas do dia a dia nem sempre fáceis! … Tratava-se lá, como noutro lugar, “de ser sua”, que pudessem dizer, eles também “são as nossas irmãs!” para retomar as expressões muito queridas do Padre Anizan.
Anizan na minha vida? É efectivamente este fogo escaldante de amor a Deus e aos irmãos que me impele e me conduz a ficar, a ser disponível a qualquer chamamento ou serviço ainda hoje!

Ir. Dominique Gruson (AC)

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