Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008

A minha experiência de Anizan

O que me seduziu na espiritualidade do padre Anizan foi o seu amor pelos mais desfavorecidos, pelos mais pobres e excluídos. E como neles conseguiu encontrar o amor de Deus e a Sua presença evangelizadora. Ser-se missionário, a partir dum trabalho pastoral, é partilhar da mesma condição dos seus paroquianos, é partir com eles à descoberta desse amor e da caridade de Deus.

É a inversão da abordagem clássica, evangelizar não é levar Deus, mas descobri-lo onde Ele já está e sempre esteve. E isso só é possível com essa entrega, essa audácia de partilhar com os outros a sua condição. É descobrir neles terra fecunda, pérolas preciosas e o rosto de Cristo nas suas faces. Só quem partilha do amor de Deus até às últimas consequências verdadeiramente o consegue.

Este mal de Deus de que padecia o padre Anizan é verdadeiramente inspirador e cerne de uma espiritualidade viva, uma espiritualidade para os dias de hoje. A situação social que nos é próxima, que invade o nosso bairro, fruto da crescente precariedade laboral, ordenados de miséria, famílias desestruturadas, abandono do lar por parte dum dos progenitores condenando a restante família à miséria, explosão da pobreza envergonhada, tudo isto lança para dentro das nossas comunidades problemas que julgávamos terem já desaparecido. A fome volta a ser uma realidade que não nos é mais distante.

E no meio de tudo isto, Ele permanece chamando. Exige-se audácia, uma certa imprudência, um caminhar ao encontro do Seu povo e de nele fazermos a Sua descoberta. Estes são os novos caminhos da evangelização ou sempre o foram.


António Ferreira
(Fraternidade Anizan)

2 comentários:

antonio disse...

� com emo�o que releio este meu texto e agrade�o �s Auxiliadoras que o tenham aceite para aqui o publicarem.

Ecclesiae Dei disse...

Que belo exemplo. Que maravilhoso chamado.