Domingo, 24 de Fevereiro de 2008

Jean Émile Anizan

Homem, padre em permanente procura da vontade de Deus sobre si…
Embora pertencesse à classe “média” da época, desde sempre se sentiu atraído pelo mundo dos pobres…
Homem de oração, de procura, percebeu que a sua felicidade seria realidade se a sua vontade se unisse à vontade de Deus.
Também ele não escapou aos momentos de dúvida, de sofrimento, de solidão, de não ver luz ao fundo do túnel (a sua noite).
No bairro operário de Charonne (Paris), descobre intensamente o sofrimento e a beleza do povo trabalhador; são estas as suas palavras: “Não, a verdadeira vítima dos tempos actuais, não é a Igreja. A vítima actual é o nosso povo, quero dizer, o povo que trabalha e que sofre nas nossas cidades e campos, meu Deus! Sem dúvida, o nosso povo este bem desfigurado, mas no seio dessa multidão de aspecto rude, mesmo repugnante, quantas pérolas preciosas e quantos recursos!” (QLC 117).
Aqui se inscreve o desejo de Anizan de consagrar a sua vida a Deus e ao povo.
Exprime o fogo interior que o habita no seu grito: “J’ai le mal de Dieu, j’ai le mal du peuple” (o Amor a Deus e o Amor ao povo).
Para Anizan a multidão são os pobres, os trabalhadores que ganham o pão dia a dia com o suor do seu rosto, as famílias desamparadas, tocadas pela solidão, crianças e jovens tocados pelo sofrimento. Multidão de quem a Igreja da época se distancia, não dá a atenção necessária.
É este olhar contemplativo de Anizan sobre esta multidão dos pobres que vai provocar no íntimo do seu coração o desejo de despertar vocações que amem este povo, de pessoas que consagrem a sua vida a Deus e testemunhem do amor de Jesus Cristo por cada pessoa desfigurada e mal amada, que partilhem das suas condições de vida e de trabalho…
Com esta preocupação fundou a Congregação dos Filhos da Caridade e a Congregação feminina das Auxiliadoras da Caridade que conheceis.
Penso que a intuição do nosso fundador é bem actual. O mundo dos pobres está por aí, bem presente:
Na escola, nas famílias, no trabalho, nas ruas, nos bairros, na multidão de crianças e jovens e adultos… marcados pela injustiça, solidão, desemprego, precariedade, exclusão, violência…
Uma multidão que espera encontrar alguém nas suas vidas que escute, encoraje, que ame à maneira de Jesus Cristo, que seja companheira/o de caminhada…
Dirijo-me de modo especial, a ti jovem a quem esta simples revista vai “encontrar”.
Já perguntaste a ti mesmo/a o que queres fazer da tua vida?
Não estará na hora de conversares sobre isso com Deus na tua oração? (desculpa a minha ousadia!)

Ir. Conceição Rodrigues (AC)

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